SM não é violência doméstica
Por Susan Wright com contribuições de Charles Moser, Ph.D., M.D.Violência doméstica é um padrão de comportamento intencional de intimidação de um parceiro com o objetivo de coagir ou isolar o outro parceiro, sem o seu consentimento. O abuso tende, por natureza, a ser cíclico, numa escala crescente com o tempo e caracterizado por pedidos de desculpas e promessas de que nunca mais vai acontecer entre os intervalos dos episódios. SM não é abuso nem violência doméstica porque:
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SM é voluntário. Os parceiros concordam com a troca erótica de poder por vontade própria e por livre escolha. Cada parceiro é livre para sair do relacionamento a qualquer tempo. O fato de que relacionamentos SM acabam (amigavelmente ou não) sem retaliação ou violência é prova desta importante diferença.
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SM é consensual. Todos os parceiros envolvidos concordam sobre o que vai acontecer. Negociação sobre os limites não só é usual como esperada. A violação desses limites é considerada uma série ofensa dentro da comunidade SM.
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Parceiros SM são pessoas informadas. Participantes envolvidos na troca erótica de poder tem entendimento de todas as possíveis conseqüências.
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Parceiros SM não só procuram como tem prazer com esse comportamento, inclusive desapontando-se se tal não ocorrer. Não existem desculpas após a cena SM, na medida em que ambos os participantes encontram-se felizes pelo acontecido.
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Parceiros SM têm grandes cuidados para que suas atividades ocorram da maneira a mais segura possível. Machucar realmente o/a parceiro/a é negar sua capacidade de poder participar de atividades SM. Pessoas que violam os limites de seu parceiro descobrem muito rapidamente que estão perdendo parceiros com os quais poderiam partilhar atividades SM. Para enfatizar esse ponto, grupos de apoio estão sempre promovendo encontros educacionais, onde são demonstradas técnicas de como atuar de maneira segura durante a cena.
Apesar disso, como em qualquer outro grupo de pessoas, encontraremos casos de violência doméstica entre praticantes SM. Contudo, a comunidade SM não perdoa a violência doméstica e encoraja ativamente vítimas e abusadores a procurarem ajuda especializada. O sociólogo Thomas S. Weinberg(*) é autor de diversos artigos profissionais publicados a respeito de sexualidade humana em revistas universitárias. No "Estudo sobre Dominação e Submissão", o Dr. Weinberg diz: "Enquanto os indivíduos que discutimos aqui são diferentes sob vários aspectos, eles têm, entretanto, alguns temas comuns. Essas semelhanças são todas relacionadas ao SM como forma de interação social. Exemplo disso é a importância de aprender tanto atitudes como técnicas através do processo de socialização, coisa bastante evidente em todos eles... Para que uma cena tenha sucesso, do ponto de vista dos parceiros envolvidos, é necessário um trabalho colaborativo de ambos. Se isso não ocorrer, seja da parte do mestre (ou mistress) ou do escravo, o relacionamento terminará. Portanto, deverá haver um acordo no que se refere à cena e ao consenso dado por ambas as partes. Ajustes devem ser efetuados pelos participantes, fazendo com que ambos sintam-se estimulados." (*) Thomas S. Weinberg (1995). Studies in Dominance & Submission, Prometheus Books, pg. 89.
domingo, 16 de agosto de 2009
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